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Pontos: a técnica mais usada e mais mal compreendida da Gamificação

  • Foto do escritor: Prof. Sam Adam
    Prof. Sam Adam
  • há 5 horas
  • 3 min de leitura

Já parou pra pensar por que você aceita fazer fila, baixar um aplicativo e até pagar mais caro num lugar só porque lá você "ganha pontos"?


Olá, eu sou o professor Sam Adam, doutor em Educação e especialista no uso dos jogos e da gamificação aplicada à aprendizagem, autor do livro Introdução à Gamificação na Educação. Na edição de hoje, vou falar sobre os Pontos, e por que essa técnica, apesar de estar em praticamente todo projeto gamificado que você já viu, é também a mais mal aplicada de todas.


Pontos existem para cumprir uma única função: dar um retorno rápido sobre uma ação que a pessoa acabou de realizar. É um feedback extrínseco, direto, quase instantâneo. E é justamente essa simplicidade que faz os pontos serem tão sedutores para quem está começando a desenhar um projeto de gamificação. O raciocínio parece óbvio: "quero mais desse comportamento, então vou dar pontos por ele". O problema é que esse raciocínio, sozinho, esconde uma armadilha e ignora um detalhe crucial: pontos não motivam por si só, eles comunicam valor. E se você comunica o valor errado, o resultado sai pela culatra.


A escola brasileira é, sem dúvida, o maior experimento de pontuação em massa que conheço, e também a prova mais contundente de que pontos isolados não resolvem nada. Nota de prova, nota de trabalho, presença, comportamento: tudo vira número. Se pontuar bastasse para engajar, o sistema educacional seria um caso de sucesso mundial em gamificação. Não é. E o motivo, na minha experiência de anos formando professores e desenhando projetos para escolas, é sempre o mesmo: pontua-se qualquer coisa, sem pensar no que aquele número está, de fato, ensinando a pessoa a fazer.


Um erro clássico é tratar pontos como se fossem todos iguais. Não são. Existem os pontos de status, usados apenas para ilustrar um placar de progresso, sem função de troca. Existem os pontos de troca, que o usuário acumula com o objetivo de resgatar algum benefício depois [a lógica por trás de praticamente todo programa de fidelidade que existe]. Existem os pontos de experiência, o famoso XP dos games, ligados à sensação de evolução e domínio. E existem os pontos de reputação, para mim os mais sofisticados de todos, porque recompensam a qualidade de uma contribuição, e não apenas o volume de ações. Escolher o tipo certo para o objetivo certo é o que separa um projeto bem desenhado de uma simples decoração de aplicativo.


E aqui mora o verdadeiro perigo: pontuar o comportamento errado ensina, em escala, o comportamento errado. Já vi isso acontecer com todas as letras numa plataforma de ensino que gamificava a participação em fóruns dando pontos por qualquer postagem, sem nenhum critério de qualidade atrelado. Bastou pouco tempo para um grupo de estudantes descobrir a brecha e passar a desejar "bom dia", "boa tarde" e "boa noite" para a turma inteira, todos os dias, só para subir no ranking. Quando o sistema foi corrigido para valorizar contribuições reais, foram justamente esses alunos que se sentiram injustiçados, afinal, tecnicamente, apenas seguiram as regras como estavam colocadas. Boa parte deles acabou abandonando o curso.


Essa história resume bem o que eu tento passar em toda formação que ministro: antes de distribuir um único ponto, a pergunta que precisa ser respondida é "qual comportamento eu realmente quero ver crescer?". Porque é exatamente esse comportamento, e nenhum outro, que a sua pontuação vai multiplicar, para o bem ou para o mal.


Se você trabalha com formação de pessoas e sente que o seu sistema de pontuação ou recompensas não está gerando o resultado esperado, talvez o problema não esteja na ideia de usar pontos, mas em como eles foram desenhados. Entre em contato comigo para conversarmos sobre como transformar isso em um projeto de verdade.


Caso queria conhecer mais sobre como eu uso os jogos para gerar mais resultados para empresas e escolas, me siga no instagram @prof.samadam.





 
 
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